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Revista O Empresário / Número 116 · Fevereiro de 2008



Mario Persona
http://www.mariopersona.com.br/cafe/archives/00000218.htm

Não consigo dormir. E quem consegue? Culpa do efeito borboleta.
Aquele que diz que o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode
causar um tornado no Texas. Se os terroristas ouvirem isso vão
querer se mudar para cá e criar borboletas.

Mas faz sentido, principalmente se você pensar que os gases
liberados na atmosfera pelo seu carro podem derreter o gelo do
Ártico por causa do tal efeito estufa. E é por isso que não consigo
dormir. Estou me sentindo estufado e temo causar uma catástrofe em
algum ponto do planeta.

Está tudo interligado, tudo interconectado. Vivo num imenso
condomínio mundial. Se seguro o elevador, meu vizinho de cima pode
perder o emprego. Se compro tênis no camelô, estimulo o trabalho
escravo no oriente. Se compro diamante, patrocino o genocídio na
África Central. Sou mais um responsável por todos e todos por um,
num planeta com mais de 6 bilhões de mosqueteiros.

Sofro ao saber que alguém na Rússia vai ficar sem hamburger porque
alguém no Brasil se esqueceu de vacinar a vaca. Preocupo-me quando
um frango espirra no Vietnã e uma andorinha sozinha vai fazer verão
na Romênia levando o vírus.

Será que é o excesso de informação que faz isso comigo? Deve ser.
Antigamente eu só sabia do que acontecia com meus primos e minha
tia. Meu mundo cresceu com a abundância de informação e eu também.
No meu caso é o efeito estufa, como já disse. Esse excesso de
informação que me bombardeia diuturnamente tem lá o seu lado bom
para um cronista como eu. Dependo de fragmentos do cotidiano para
escrever e meu e-mail traz todos os dias um caminhão de matéria
prima.

É claro que junto vem muito lixo, mas também recebo casos que
posso reciclar, como o de dona Gertrudes - o nome eu inventei - que
pode ser real, lenda ou trote, não sei. O que sei é que, se
existir, ela é tão ou mais preocupada do que eu. Por isso decidi
escrever minha versão reciclada da história de autor desconhecido
que circula na Internet, para dar a ela um sentido mais educacional.

Politicamente correta, socialmente correta, ecologicamente
correta, seja-lá-o-que-for correta, assim é dona Gertrudes. Só para
você ter uma idéia, em sua cozinha há 4 cestinhos de lixo para
materiais recicláveis, um de cada cor: Vermelho para plásticos,
amarelo para metais, azul para papel e verde para vidro.

E na garagem tem mais: preto para madeira, laranja para resíduos
perigosos, branco para materiais hospitalares, marrom para
orgânicos e cinza para não-recicláveis. Você acredita que a mulher
tem até um cesto de lixo roxo? É para as velhas radiografias, que
ela acha que são radioativas.

Quando não está caminhando ou usando sua bicicleta ou o transporte
público, seu carro queima álcool, cinco vezes menos poluente que a
gasolina. Sua impressora até aprendeu a ler, de tanto ela imprimir
do outro lado, e quando vai ao supermercado, leva sua própria
sacola para reduzir o consumo de sacos plásticos. A menina do
caixa, boba, acha graça.

Refrigerante em garrafa PET? Nem pensar. Só suco de fruta. As
lâmpadas da casa ela já trocou pelas econômicas, só toma banho frio
e rapidinho, e ai do filho que deixar algum eletrodoméstico ligado
na tomada com aquela luzinha em estado de espera. Será que preciso
dizer que ela escova os dentes com a torneira da pia fechada e usa
a água suja da máquina de lavar roupa para lavar o quintal?

Carne de vaca não come mais, por causa dos 25% do efeito estufa
causados pelo escapamento do animal. Sua dieta de alimentos
orgânicos e integrais só abre a porteira para peixes e aves. E
quando a mulher viaja para o campo, leva um saco de sementes de
árvores e arbustos para espalhar. Mais verde do que dona Gertrudes,
só o seu Garcez, o marido, que sofre um pouco do fígado. Até parou
de fumar para ver se resolve.

Toda essa preocupação deu aos filhos a idéia de aprontarem com o
peru da ceia de Ano Novo. Justo com o peru, que Dona Gertrudes
criou só com alimentação natural, massageou usando técnicas de Do-
In e tentou, sem sucesso, fazer a ave aprender Yoga. Até homeopatia
ela usou quando o peru andou esquisito.

Dizem - mas não acreditei - que antes da execução ela usou
acupuntura para anestesiar o peru e amaciar a carne. Na minha
opinião o que ela usou mesmo foi a velha cachaça, como se fazia
antigamente, despejada em um funil goela abaixo. Depois, temperou
naturalmente com sal não-refinado, vinagre de maçã e ervas
orgânicas, e colocou a ave no forno.

Foi só virar as costas e os filhos tiraram o peru do forno,
esvaziaram a ave de seu recheio e enfiaram no lugar um franguinho,
o menor que encontraram no supermercado. Tapado o orifício com
farofa para disfarçar, devolveram o peru ao forno.

À noite, cercada pela família, a orgulhosa dona Gertrudes meteu a
faca na ave e foi destrinchando, enquanto se gabava de suas
preocupações ecológicas e sociais no preparo. Ao descobrir o
franguinho assado no interior da ave, gritou de comoção e horror
antes de desmaiar:

- Meu Deus! Assei uma perua grávida!
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