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Publicado em: 21/10/2019

Uma empresa neozelandesa permitiu que seus empregados trabalhassem quatro dias por semana com pagamento semelhante ao que recebiam por cinco dias. A experiência teve tanto sucesso que a companhia planeja adotar a mudança em caráter permanente.

A administradora de fundos, testamentos e patrimônio Perpetual Guardian constatou que a alteração resultou em ganho de produtividade entre seus 240 empregados. Segundo eles, o tempo adicional de folga foi dedicado a conviver mais com suas famílias, melhorar a forma física, cozinhar e cuidar de seus jardins.

A empresa conduziu a experiência –reduzindo a jornada semanal de trabalho de 40 para 32 horas em março e abril deste ano, e pediu que dois pesquisadores estudassem o efeito da mudança sobre sua equipe.

Jarrod Haar, professor de recursos humanos na Universidade de Tecnologia de Auckland, disse que os empregados reportaram melhora de 24% em seu equilíbrio vida/trabalho, e que voltavam ao escritório energizados depois do dia adicional de folga. "O desempenho real deles no trabalho não mudou quando passaram a trabalhar quatro dias em lugar de cinco."

Experiências semelhantes em outros países testaram reduzir a jornada de trabalho como forma de melhorar a produtividade individual.

Na Suécia, um teste na cidade de Gotemburgo reduziu a jornada diária de trabalho para seis horas, e as autoridades constataram que os trabalhadores realizavam a mesma quantidade de trabalho a cada dia, ou até mais. Mas quando a França adotou uma jornada semanal de trabalho compulsória de 35 horas, em 2000, as empresas se queixaram de que isso reduzia sua competitividade e elevava os custos de contratação.

No caso da Perpetual Guardian, os trabalhadores afirmaram que a mudança os motivou a encontrar maneiras de aumentar sua produtividade no tempo em que estavam no escritório. A duração das reuniões foi reduzida de duas horas para 30 minutos e o pessoal criou sinais para informar aos colegas quando precisava de tempo para trabalhar sem distrações.

Fotolia
Funcionários de uma empresa na Nova Zelândia tiveram jornada de trabalho reduzida com ganho de eficiência
Funcionários de uma empresa na Nova Zelândia tiveram jornada de trabalho reduzida com ganho de eficiência
"Eles descobriram o que os fazia perder tempo e passaram a trabalhar com mais inteligência, em lugar de trabalhar mais", disse Haar.

Segundo o fundador, Andrew Barnes, a Perpetual Guardian é a primeira companhia do planeta a pagar os empregados por 40 horas semanais de trabalho e pedir que eles trabalhem apenas 32 horas. Outras reduziram o número de dias trabalhados na semana mas expandiram a jornada diária, ou autorizaram empregados a trabalhar menos tempo, mas com redução de salário.

Barnes disse que a ideia de uma semana de trabalho de quatro dias lhe ocorreu depois de ler um relatório que apontava que as pessoas dedicavam menos de três horas de seus dias de trabalho a tarefas produtivas, e outro afirmava que as distrações sofridas no trabalho podiam ter sobre a equipe efeito semelhante ao de passar uma noite sem dormir ou fumar maconha.

Ele disse que os resultados do teste na Perpetual Guardian haviam demonstrado que, quando estiverem contratando pessoal, os executivos devem negociar as tarefas que serão executadas, em lugar de basear os contratos em determinado número de horas de permanência no escritório.

"De outra forma, você estará dizendo que na verdade é preguiçoso demais para determinar o que quer do empregado, e por isso vai lhe pagar só para aparecer no escritório", disse Barnes.

"O contrato deveria girar em torno de um determinado nível de produtividade", acrescentou. "Se você produzir em menos tempo, que motivo eu teria para reduzir seu pagamento?"

Ele disse que as mães seriam as maiores beneficiárias da política, porque aquelas que voltam ao trabalho depois de licença-maternidade, em muitos casos, executam sua carga completa de trabalho, mas em jornada reduzida, e com salário reduzido.

Tammy Barker, executiva de atendimento da Perpetual Guardian que tem dois filhos, concorda com a avaliação de Barnes.

Ela disse que usou seu dia adicional de folga na semana cuidando de assuntos pessoais, se encontrando com amigos e fazendo compras, o que lhe dava mais tempo para ficar com a família nos finais de semana.

Ela percebeu durante o teste que costumava pular de tarefa em tarefa no trabalho e perdia a concentração.

"Como o foco é a produtividade, me dediquei a fazer uma coisa de cada vez e a me concentrar mais quando sentia estar me distraindo", ela disse. "No final de cada dia, minha sensação era a de ter feito muito mais."

Apontando que a empresa reduziu suas despesas com eletricidade, já que havia 20% a menos de empregados no escritório a cada dia, Barnes disse que a mudança da jornada de trabalho poderia ter implicações mais amplas, se mais empresas adotarem essa estratégia.

"Teríamos 20% a menos de carros nas ruas na hora do rush; haveria implicações para o planejamento urbano, por exemplo, uma redução na área de escritórios requerida", ele disse.

O conselho da Perpetual Guardian agora vai debater se deve adotar a mudança de forma definitiva.

Para Ian Lees Galloway, ministro neozelandês das Relações Trabalhistas, há gente demais no país fazendo jornadas excessivas e foi "ótimo ver uma empresa que encontrou um caminho melhor".

"Eu aplaudo esse exemplo de trabalho mais inteligente, e encorajo outras empresas a segui-lo", ele disse.

The New York Times; tradução de Paulo Migliacci
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