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Publicado em: 27/11/2018

Fundamental nas relações familiares e afetivas, a inteligência emocional também é um componente importante para a interação entre chefes, subordinados e equipes no trabalho.

Essa habilidade é perceptível, segundo a especialista em inteligência emocional Alessandra Rodrigues Gonzaga, professora da Universidade La Salle, na boa adaptação do indivíduo ao ambiente onde desenvolve suas tarefas: ele capta com facilidade os códigos de conduta e os cumpre, relaciona-se bem com superiores, subordinados e colegas e sabe, de acordo com a situação, a hora em que é preciso se impor ou ceder.

Assim como nos demais relacionamentos, a pessoa com alta inteligência emocional se conhece bem e sabe evitar situações em que pode se expor ou não desempenhar bem o que deve ser feito. Se o chefe estiver com uma forte gripe justamente no dia em que necessita conduzir uma reunião delicada, que envolve ajustes financeiros expressivos, por exemplo, ele vai tentar minimizar o máximo possível os danos que seu estado de saúde fragilizado podem causar ao processo de negociação com os demais envolvidos.

Se não der para cancelar o compromisso, ele poderá tentar reduzir o número de tópicos da pauta a ser cumprida ou então promover um encontro online em vez de presencial.

No caso de profissionais em postos de liderança, a inteligência emocional bem desenvolvida é percebida naqueles que conseguem formar uma equipe bem engajada, criando conexões inteligentes entre os membros – há espaço e incentivo para que potencializem as capacidades uns dos outros. O bom chefe também sabe fazer uma leitura correta dos funcionários e regular conflitos.

Do ponto de vista do funcionário, constata-se a inteligência emocional naqueles que são proativos e atentos, capazes de abraçar desafios e projetos com coragem e entusiasmo, sem antes apontar os obstáculos e impor restrições para o cumprimento das tarefas.
“Quando o líder tem uma tarefa difícil, ele vai direto naquela pessoa”, explica Alessandra.

Um elemento positivo para um ambiente corporativo saudável é certo nível de informalidade – a depender do ramo de atuação –, o que permite que as pessoas falem sobre outros assuntos além daqueles estritamente ligados ao universo da profissão. Alessandra faz uma ressalva ao perfil “multitarefa”, exaltado em algumas organizações hoje em dia.

Do profissional, muitas vezes se exige que execute várias tarefas simultâneas, mas isso não deve acontecer no nível das relações interpessoais. Quando se fala com alguém, deve-se estar disponível e atento à fala daquele interlocutor, e não preenchendo um relatório ou respondendo a e-mails. A especialista também refuta uma ideia comum: a de que, no ambiente corporativo, deve preponderar a razão. As emoções também precisam estar presentes.

“Não existe razão pura. Todo processo racional tem por base as emoções. Quando pensamos, já temos um sentimento que embasa esse pensamento. Uma pessoa que parece puramente racional é de dar medo. Assim que ela precisar envolver outros, vai precisar colocar emoções. Não temos como nos apartar delas. A racionalidade precisa do emocional “, diz a professora.

Para a tomada de boas decisões, são necessários conhecimento, nossa capacidade intuitiva e o resultado do aprendizado de experiências emocionais passadas.
“O que não pode acontecer é deixar que uma sensação tão intensa me impeça de pensar, raciocinar, trabalhar”, acrescenta Alessandra.

Como melhorar a gestão de conflitos no ambiente corporativo

1 – Conheça seus gatilhos emocionais

Pense: o que costuma abalá-lo? Que situações ou pessoas despertam o pior em você? Todos enfrentamos situações adversas, mas algumas delas têm potencial maior para nos abalar. Há pessoas em geral muito tranquilas para lidar com problemas no trabalho que, em uma situação de desentendimento no trânsito, por exemplo, alteram-se a ponto de poder provocar um acidente.

Segundo Alessandra Rodrigues Gonzaga, isso pode estar relacionado a algum episódio de trauma, abuso ou estresse vivenciado como motorista ou passageiro. Dar-se conta desses gatilhos emocionais é o primeiro passo para se tornar capaz de manter o controle e a calma em momentos de crise.

2 – Observe seu ambiente organizacional

Reflita a respeito dos valores que orientam as relações interpessoais na sua empresa. Em uma reunião de trabalho, quais são os comportamentos mais comuns dos participantes? Os funcionários são muito formais ou há espaço para certa descontração? Alessandra afirma que, às vezes, o que menos adianta é ser estritamente racional.

Quando há uma situação de tomada de decisão compartilhada para um problema complexo, para o qual não existe uma solução simples e não se consegue alcançar um consenso, muitas vezes as pessoas tentam convencer umas às outras apenas com base em argumentos lógicos quando, na verdade, as decisões estão sendo influenciadas muito mais por crenças e valores pessoais, pela percepção do que é certo ou não, do que por argumentos técnicos ou financeiros. “Às vezes, você está olhando só um número. Você precisa considerar que há valores e pessoas por trás desse número “, diz Alessandra.

3 – Esteja atento às emoções no momento das interações

A especialista em inteligência emocional salienta que mais fácil do que regular um ataque de raiva é não deixar a irritação chegar a um ponto crítico. Ninguém melhor do que você mesmo para perceber quando não está se sentindo bem em algum momento ou sem condições para tratar de determinado assunto. Ignorar esses sinais e seguir adiante, contrariado, em uma análise ou discussão, não trará um resultado favorável para os envolvidos.

O melhor a fazer é ser honesto e explicar aos colegas que você não está em um bom dia, caso eles não percebam por conta própria. Todos tendem a sair ganhando quando questões críticas são abordadas no momento adequado.

4 – Informações não verbais

Aprenda a reconhecer o que as pessoas transmitem além da fala. Certamente você consegue identificar o estado emocional de seu companheiro, filhos ou familiares próximos pelas “pistas emocionais” que eles emitem: uma cara feia, um tom de voz alterado, um comportamento inusual. A partir desses sinais, é possível perceber quando não é um bom momento para uma conversa.

Se você insistir, é provável que se arrependa. No ambiente de trabalho, é a mesma coisa. Se você aprender a “ler” seus colegas com atenção, será mais assertivo em suas abordagens. Alessandra explica que isso não significa que o sinal estará sempre verde ou sempre vermelho para interações, mas, se for um bom observador, você conseguirá notar a luz amarela que indica a presença de sinais emocionais adversos, o que exigirá a necessidade de uma forma de contato alternativa ou mais cuidadosa.

5 – Pratique o autoconhecimento

Aprender sobre si mesmo é uma tarefa contínua, frisa a professora. Se você leu as quatro dicas anteriores, pode estar se questionando: “Que coisa mais complicada a interação com as outras pessoas. Valores, crenças, estados emocionais…Tudo afeta as interações. Por que as pessoas não podem ser mais simples e tranquilas? Já parou para pensar que, nesse momento, alguém pode estar fazendo exatamente esse questionamento a seu respeito? “provoca Alessandra.

Prestar atenção aos próprios estados e reações emocionais permite aprender a regulá-los de maneira mais adequada, o que facilita as relações pessoais e profissionais.

Práticas de mindfulness e meditação, sugere a especialista, ajudam a conhecer essas reações e melhoram a sua capacidade de se adaptar melhor às diferentes situações do dia a dia."
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