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Publicado em: 03/07/2018

Nesses mais de 20 anos em que atuo como palestrante, sempre que falo sobre como administrar uma empresa, gerir uma equipe ou melhorar as vendas, ao fim da apresentação, alguém diz: “Como eu gostaria que meu sócio estivesse aqui para ouvir isso”. Ou então: “Você precisa dar esse recado para o meu chefe”.

A sensação que tenho é que o problema sempre está com o outro, nunca com nós mesmos. As pessoas sempre acham que é o chefe, o sócio, o marido, enfim, o outro que precisa mudar de atitude.

Nunca ninguém veio conversar comigo e admitiu que prejudicou seu sócio —foi sempre o sócio que o traiu. Nunca ninguém admitiu para mim que errou com o seu chefe —sempre foi chefe que cometeu uma injustiça.

Como é difícil assumir que erramos, que podemos ter falhas. Como é difícil ouvir uma orientação, vestir a carapuça e saber que aquele conselho serve para você, não para o outro.

Estamos sempre aprendendo. E reconhecer um erro é muito importante para o nosso desenvolvimento emocional e profissional.

Mas em vez de gastar energia com o reconhecimento dos erros e com uma importante aprendizagem, muitas pessoas preferem sofrer para encontrar justificativa para uma falha. Ficam amarguradas em vez de assumir e pedir desculpas pelo erro.

Quem decide agir eventualmente pode errar, é claro. Só quebra copos quem lava copos. Por isso, quem erra deveria ficar orgulhoso de ter agido. Já é um primeiro passo.

Na minha opinião, pior do que errar é nem tentar. Simplesmente fugir das responsabilidades, deixando que os outros se exponham enquanto você fica seguro no seu canto.

Quando um time não vai bem, todos ficam procurando um culpado —como se isso resolvesse o problema. Muitas vezes o culpado é o próprio acusador, simplesmente porque ele não fez nada para mudar a situação.

Participando de reuniões empresariais, sempre escuto uma mesma frase: “Alguém precisa fazer alguma coisa para resolver esse problema”.

Toda vez que ouço esse comentário, fico pensando: quem é esse alguém? Quando jogamos a responsabilidade para um terceiro ninguém age e não saímos do lugar.

Por isso, lembre-se que só conquista seus sonhos aquele que age, trabalha, chama a responsabilidade, toma a dianteira. Essa pessoa evidentemente assume riscos, e o maior risco é falhar.

Sem problemas: se errar, levante e aprenda. Reconhecer falhas é algo que dói, envergonha e nos faz ver fraquezas nossas que preferiríamos não reconhecer. É duro, óbvio, mas também é muito transformador.

E quando você sentir medo de agir, pense nas várias oportunidades que perdeu por se omitir e em tudo que pode ganhar se acertar. Só assim é possível se destacar.

Américo José
Atua como consultor de empresas e palestrante há mais de 20 anos.
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