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Comportamento



Publicado em: 14/11/2015

São 8 da manhã de uma segunda. Esse dia carrega todo o potencial da semana que se inicia - potencial para uma semana perfeita de treino, para alcançar sem esforço o bom humor que sempre surge após uma boa corrida. Potencial para bater as minhas próprias expectativas de velocidade e distância.

Eu deixo o meu plano de treino grudado na porta da despensa para que eu possa casualmente apontar para ele quando me gabo para o meu esposo. Você já viu o meu ritmo hoje? Ele revira os olhos pois, claro, já recebeu um alerta do aplicativo MapMyRun com as minhas estatísticas de corrida e uma selfie minha, toda suada.

Segunda significa que tenho a semana toda pela frente, como uma página em branco, onde eu posso traçar minhas realizações e compartilhar triunfos.

Eu sou corredora.

Há um ano comecei a correr para atingir uma meta de vida e me forçar a sair de uma fase bem negativa de pós-parto.

Mas eu não queria só correr, eu queria ser corredora. Os primeiros meses foram pesados, com muita dúvida sobre mim mesma.

Basta ler o que eu escrevi para o xoJane em dezembro. (versão resumidíssima: quem eu acho que sou, gorda desse jeito, para ser corredora?)



Agora eu não me importo mais com o que as pessoas pensam quando eu saio para correr.

O que mudou depois de um ano ao correr três vezes por semana?

Bom, de uma vez por todas, vamos tirar isso do caminho: não, o meu peso não mudou muito. É bem provável que existam vários trolls da internet que prontamente dirão que eu devo estar fazendo algo errado, mas eu apenas ¯\_(ツ)_/¯.

Para mim, é bem mais gratificante examinar o que mudou nesse último ano, como resultado da corrida. Ver como os meus bloqueios iniciais e as maiores mudanças ocorreram na minha mente.

Antes de mais nada, é uma sensação muito boa essa de poder ver o quanto pude correr e a minha velocidade atual, se comparado a um ano atrás.

Um ano atrás eu corria por um minuto brutal e precisava de pelo menos quatro minutos para me recuperar. Depois de duas ou três vezes, fazendo isso, eu sentia que tinha me esforçado ao máximo e ia para casa mancando e sem fôlego.

Hoje eu corro e corro, pra valer. Eu presto menos atenção no tempo, faço intervalos de caminhada em subidas íngremes ou para pegar o copinho de água que caiu. (Eu ainda executo grande parte das minhas corridas enquanto passeio com o meu bebê de 12 kg no seu carrinho. Sinto que 'sou foda' por fazer isso.)

Em alguns dias existem maiores intervalos de caminhada com menos combustível de invencibilidade para me sustentar. Meses atrás eu reclamei sobre isso com o meu marido (corredor desde o colegial), contei de uma corrida que foi bem pouco gratificante.

Eu estava lenta, pesada, com dor e mal-humorada. Ele me disse que às vezes a semana inteira pode ser um saco, mas que uma hora isso muda.

Agora eu aprendi a aceitar os dias difíceis e a continuar me movimentando. Mas houve uma época quando a minha motivação esteve bem frágil e era facilmente abalada!

No ano passado, eu escrevi: "A cada dia travo uma batalha na minha mente, na sua poderosa tentativa de me manter parada e escondida dentro de casa". Essa atitude se inverteu completamente; agora é necessária uma força muito grande para me fazer recuar do meu treino.

Este verão, eu corri sob as temperaturas sufocantes do sul do Texas. Nos últimos meses eu tenho tido enxaquecas, mas mesmo assim eu continuo fazendo exercícios.

Agora uma corrida rápida de 30 minutos não é mais suficiente. Eu começo a me sentir melhor depois de 45 minutos ou de uma hora de corrida. Minha ideia de cross-training é andar pois o meu lema é "Milhas, Milhas, Milhas" - de certa forma isso vai contra o meu próprio interesse.

Um médico sugeriu que eu incluísse um treino de força porque criar músculos melhora a sensibilidade à insulina.

Eu sou tão obcecada em derrotar a diabete quanto eu sou em me tornar uma atleta, então as intenções eram boas.

Mesmo assim, quando eu tenho oportunidade de me exercitar, tudo o que eu consigo pensar é "Milhas, Milhas, Milhas".

Muitas pessoas estão interessadas em fazer exercícios - não existe nada de especial nisso. No entanto, isso ainda é algo estranho para mim porque, por muito tempo, eu achava que eu não fazia parte desse mundo.

Mesmo nos anos em que não corria, eu assinava revistas especializadas e me inspirava nas histórias de corredoras "reais". Este ano notei que essas corredoras são bem mais parecidas comigo do que eu achava.

Tudo começou com um comentário agradável em um artigo daquela edição de dezembro que apontava para uma comunidade de mulheres corredoras no Facebook chamada The Fat Girl's Guide to Running -- "The world's first virtual running club for plus size women." ("Um Guia de Corrida para as Gordinhas - O primeiro grupo virtual do mundo para mulheres de tamanhos grande", em tradução livre).

A fundadora Julie Creffield começou a correr dez anos atrás e agora inspira milhares de mulheres a continuarem correndo e reivindicarem o título de atletas".

Eu valorizo muito que os seus produtos, livros e publicações no blog não me excluíssem por causa do meu tamanho ou da minha velocidade.

Daí, no verão passado, a revista Women's Running causou sensação quando destacou em sua capa de agosto uma corredora de tamanho grande, a Erica Shenk.

Eu comprei uma cópia tão logo encontrei pois, da minha perspectiva, foi um momento crucial.

Uma revista de fitness com alguém como eu na capa em um artigo chamado "3 razões pelas quais o seu peso não importa" e com uma cobertura especial sobre os acessórios para pessoas do meu tamanho, era o equivalente - só que em versão de revista - a ser capaz de entrar em uma loja e poder provar as roupas em vez de apenas sonhar em ser incluída.

Aproximadamente na mesma época eu soube de Mirna Valerio, quando fizeram um perfil dela na revista Runner's World. Eu queria pensar que eu era ela - somos da mesma idade, tamanho e blogueiras.

Eu queria pensar que eu poderia me tornar cada vez mais parecida com ela - uma corredora melhor e mais rápida. Ela não é só uma corredora (o que já é algo bem incrível), mas ela é uma ultra corredora, uma proeza chocante para qualquer (tipo de) corpo. Ela tira várias selfies em cada uma de suas corridas como forma de adjudicar o seu lugar naquela experiência.

A atenção da mídia em mulheres como Mirna, Julie e Erica indica uma mudança sutil da velha narrativa de que a corrida serve para emagrecer e de que ser gorda e curtir a corrida é possível. Eu não queria mais fingir que era invisível quando corro; eu queria estar lá, sem me importar com quem me via. 

Em um ano de corrida eu notei exatamente um olhar estranho na rua. Eu conheço corredoras que são provocadas e assediadas, mas talvez por usar fones de ouvido e ouvir um som suficientemente alto eu acabe perdendo tudo isso.

Há um ano eu saía para correr com qualquer coisa velha e esfarrapada que fosse confortável e que me oferecesse o melhor disfarce. Agora eu me equipo com roupas que vestem bem em mim porque essa é uma paixão pela qual eu já comprovei o meu comprometimento. Meus braços estão descobertas e minhas coxas de corredora apertadas.

Hoje eu já estou na 12ª semana de um programa de treinamento de meia-maratona. A corrida é em dezembro e eu sei que eu posso completá-la. De fato, agora estou bem segura que eu posso fazer muitas coisas que eu tenho há tanto tempo sonhado -- escaladas, stand-up paddle, ciclismo.
Mas, eu não estou só sonhando em realizar essas atividades, eu agora estou planejando em participar delas.



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