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Publicado em: 25/07/2025

As transformações da economia ganham novos contornos rapidamente no mundo todo e acentuam seus impactos no Brasil e no ambiente de negócios. Elas compõem um cenário que exige atenção de todo empreendedor, sobretudo de quem decidiu investir em uma franquia os recursos acumulados com sacrifício durante anos. Especialistas ouvidos pelo Estadão afirmam que o momento é de atenção.

Além de atenção, o momento requer do empreendedor interpretações precisas da situação, segundo Augusto Sales, professor de Empreendedorismo e Negócios Internacionais da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ebape). “O comércio internacional se tornou mais complexo, segmentado e instável. Empreender nesse contexto demanda resiliência estratégica, leitura de cenário e capacidade de adaptação em tempo real.”
Sales aponta que o momento é de “transição estrutural na economia global”. “Três movimentos principais se destacam: a reconfiguração das cadeias globais de valor; a intensificação de conflitos geopolíticos, que elevam o risco e o custo do comércio internacional; e um ciclo prolongado de juros elevados e inflação persistente, que restringe investimentos e encarece o crédito”, afirma.

“Além disso, cresce a volatilidade dos acordos comerciais internacionais. A guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos na gestão Trump marca uma inflexão protecionista com efeitos sistêmicos. Essa lógica de elevação de tarifas como instrumento geopolítico vem se espalhando e tornando o comércio global menos previsível”, diz o professor da FGV.

“O cenário econômico global passa por transformações profundas que estão redefinindo as regras do jogo empresarial. A fragmentação política, os conflitos entre Estados Unidos e China e entre Rússia e os países da Otan representam uma mudança muito significativa nos fluxos comerciais desenhados e utilizados há décadas”, ressalta o economista Claudio Felisoni, coordenador e professor do curso de gestão de franquias da FIA Business School.
“Há também a reorganização dos canais de suprimento após a pandemia e a transição energética, que pressiona na direção de modelos de negócios mais sustentáveis”, acrescenta.
Roberto Ferreira, professor de administração da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville, adiciona ao caldeirão de mudanças recentes a “aceleração do processo de inovação tecnológica, com a chegada da IA, que gera projeções imprevisíveis, e a frequência de eventos climáticos extremos”.

Em meio a essas transformações, observa Ferreira, “três grandes ciclos se atenuam e geram impacto no Brasil e no mundo: o fim da hiperglobalização, o fim da era de juros e inflação extremamente baixos e o fim do milagre chinês”.

Desafios
A instabilidade das cadeias globais de suprimentos causa impactos em vários setores e negócios. Para além dos efeitos setoriais, esse conjunto de mudanças em escala global provoca variações na cotação do dólar e também é acompanhado de um fator que pesa no bolso do cidadão comum de países diversos: o aumento de preços dos produtos.
“A inflação persistente obriga os bancos centrais, como é o caso no Brasil, a elevar as taxas de juros, o que impacta significativamente os investimentos e o consumo”, afirma Felisoni, que também é presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar). Ou seja, os efeitos das mudanças têm o potencial de se disseminar por toda a economia.
“A elevação dos custos operacionais, seja por fatores externos como a volatilidade cambial e o encarecimento de insumos importados, seja por fatores internos como a alta carga tributária, juros e burocracia, afeta a margem de manobra dos empresários”, comenta Sales, professor da FGV.
Ainda de acordo com Sales, o resultado desses processos é “um ambiente de negócios mais instável, com custos adicionais e menor horizonte de planejamento”.
Segundo Décio Pecin, vice-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o cenário global tem feito o setor brasileiro de franquias sentir impactos, a maioria de forma indireta. “Mas identificamos pontos de atenção em áreas como insumos e equipamentos importados, dificuldades logísticas e de fornecimento, com prazos mais longos (de entrega)”, diz.
Para Júlio Monteiro, vice-presidente da seccional Rio de Janeiro da ABF, o perigo maior para quem empreende é representado pela rapidez das várias mudanças. “A nova ordem global, com suas transformações comerciais e geopolíticas, pressiona custos e exige maior eficiência. A principal preocupação não é o desafio em si, mas sim a velocidade com que ele surge”, afirma.
“Por isso, franqueadores atentos estão reforçando a gestão de riscos e revendo processos logísticos e de compras. O momento convida o setor a uma reorganização estratégica, valorizando soluções mais sustentáveis e menos vulneráveis ao cenário internacional”, salienta Monteiro.

Vulnerabilidades
Os setores de franquias que tendem a ser mais afetados por um cenário externo incerto, gerado principalmente pelos EUA, são os dependentes do mercado externo. “Segmentos como beleza e cosméticos, moda, tecnologia e alimentação, quando baseados em cadeias internacionais de fornecimento, podem enfrentar desafios adicionais na precificação e no abastecimento”, diz Décio Pecin.
“Outro setor que pode ser afetado é o de viagens internacionais. As restrições impostas para estrangeiros nos EUA podem desincentivar consumidores a viajar dado o risco de negação de vistos ou outros inconvenientes. Além disso, franquias com estratégia de internacionalização também devem adotar maior cautela, avaliando com mais rigor os riscos de curto prazo no mercado global”, acrescenta o vice-presidente da ABF.
“Vários setores de franquia enfrentam prejuízos nesse ambiente. Redes de fast-food que dependem de insumos específicos importados, especialmente dos Estados Unidos, têm sofrido com custos crescentes e incerteza de fornecimento”, cita Felisoni.
Ferreira, do Mackenzie, vê vulnerabilidades em “setores ligados a bens de consumo não essenciais, como artigos de luxo ou decoração de alto padrão, que são os primeiros a sofrer cortes no orçamento do consumidor em tempos de incerteza”.

Esfriamento
Para Altair Camargo, professor de administração da Universidade Presbiteriana Mackenzie, as incertezas em torno da guerra de tarifas de importação podem desencadear processos de valorização das indústrias nacionais.
“É um período de falta de previsibilidade, vide as taxas impostas e retiradas em pouquíssimo tempo entre países, em diferentes produtos. Isso pode levar a uma polarização do cenário e a uma reorganização das cadeias globais de valor, uma vez que países podem deixar de consumir produtos e tecnologias externas para desenvolvê-los ‘dentro de casa’ e evitar impostos ou até sanções”, afirma.

Por: Wellington Ramalhoso
 
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