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Revista O Empresário / Número 179 · Junho de 2013



Você é homem e tem mais de 100 centímetros de cintura? Pois se quiser trabalhar na Michelin North America Inc., esse seu pneu pode custar caro. Os funcionários da fabricante de pneus que têm pressão arterial elevada ou barriga maior que certos padrões, podem ter que pagar até US$ 1.000 a mais pelo seguro saúde a partir do próximo ano.

Lutando contra os custos crescentes dos planos de saúde e os fracos resultados dos seus programas voluntários de boa forma, empresas dos Estados Unidos estão penalizando os trabalhadores por uma série de condições de saúde, como pressão alta e obesidade abdominal. Elas também estão exigindo que eles divulguem dados como peso, índice de massa corporal e nível de açúcar no sangue, se não quiserem pagar mais pelo seu plano da saúde.

Executivos dizem que não podem reduzir os custos de saúde sem mudar os hábitos dos empregados. Eles citam estudos de economistas comportamentais que mostram que as pessoas se sentem mais estimuladas por uma possível perda, como uma multa, do que por um possível ganho, como um prêmio.
Os empregadores podem argumentar que medidas severas para ajudar os funcionários, como punir os que não fazem o chek-ups periódicos, beneficiam as pessoas e reduzem os custos com a saúde. Mas essas medidas também anunciam um futuro sombrio em que uma doença crônica, como a hipertensão, poderia impedir alguém de obter uma promoção ou mesmo de ser contratado. Até recentemente, a Michelin concedia aos funcionários um crédito automático de US$ 600 para os pagamentos ao plano de saúde e mais uma quantia para quem respondia a pesquisa de avaliação ou participava de programa voluntário de boa forma, mas a empresa adotou uma política mais rigorosa depois que seus custos de saúde aumentaram em 2012. Agora, a Michelin só vai recompensar os empregados que tenham níveis saudáveis de pressão arterial, glicose, colesterol, triglicérides e obesidade abdominal, ou seja, uma cintura menor que cerca de 90 centímetros para as mulheres e 100 para os homens.

Os que atingirem os requisitos básicos em três categorias receberão até US$ 1.000 para reduzir suas despesas anuais com saúde. Aqueles que não se qualificarem devem se inscrever em um programa de orientação de saúde para ganhar um crédito menor. A Michelin nega qualquer discriminação e diz que sua política é voluntária. Não participar significa que o funcionário não receberá os incentivos. Wayne Culbertson, diretor de recursos humanos da empresa, diz que os antigos programas não provocaram mudanças significativas.

Seis em cada dez empregadores dizem que pretendem, nos próximos anos, penalizar empregados que não tomarem iniciativas para melhorar sua saúde, segundo um estudo recente com 800 empresas de médio e grande porte feito pela consultoria Aon Hewitt.
A lei americana atual permite que as empresas instituam recompensas ou penalidades relacionadas à saúde desde que o valor não exceda 20% do custo da cobertura de saúde do funcionário. John Hancock, um veterano advogado trabalhista do escritório de advocacia Butzel Long, de Detroit, no Estado de Michigan, diz que, desde que a empresa isente os empregados com problemas de saúde que os impeçam de alcançar as metas, ela estará agindo legalmente. A Honeywell Internacional Inc. introduziu recentemente uma multa de US$ 1.000 para quem decidir realizar certas cirurgias, como uma prótese de joelho, sem fazer mais consultas a respeito.

A empresa, antes, dava US$ 500 para quem entrasse num programa de informação sobre cirurgias, mas menos de 20% do pessoal tomava parte. Segundo a empresa, desde que transformou o incentivo em penalidade, a participação no programa subiu para mais de 90%.
Normalmente, 20% dos funcionários de uma empresa são responsáveis por 80% dos custos dela com saúde e cerca de 70% desses custos são ligados a doenças crônicas causadas pelo estilo de vida, como excesso de alimentação ou vida sedentária, diz Charlie Smith, diretor médico da provedora de planos de saúde Cigna Corp.

Mas quando os empregadores se concentram nesses problemas de saúde, os próprios funcionários podem se sentir atingidos, principalmente na questão do peso.
Embora as empresas não possam afirmar isso diretamente, muitos desses quadros, como colesterol elevado e pressão alta, são relacionados à obesidade.
Uma pesquisa da Gallup de 2011 estimou que os funcionários americanos de tempo integral que são obesos ou estão acima do peso perdem anualmente 450 milhões de dias de trabalho a mais que os saudáveis, gerando custos de mais de US$ 153 bilhões em perda de produtividade.
Por enquanto, as empresas estão tentando equilibrar incentivos e punições. Muitas vão avaliar se infligir um pouco de prejuízo financeiro levará a mudança no longo prazo.

“Qual é a dose certa de penalidade?” Pergunta Paul Keckley, diretor do braço de pesquisas de saúde da Daloite LLP. “A mudança de comportamento tem que ser algo automático como escovar os dentes”.
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