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Revista O Empresário / Número 118 · Abril de 2008



Por Laila Mahmoud

Quando o padre diz: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, deveria incluir no pacote também dívidas e rendas. Isso porque, segundo especialistas em finanças, a cumplicidade e o planejamento em conjunto são o segredo para que a união perdure e traga conquistas materiais para ambos os envolvidos. Mais do que isso, saber quanto seu parceiro ganha e discutir conjuntamente o destino da renda é um bom sinal de que a comunicação no relacionamento está caminhando bem.

Casais diferem quanto a compartilhar ou não informações sobre seus salários, mas é preciso discutir juntos o destino do dinheiro. É o que defende, por exemplo, Gustavo Cerbasi, autor do livro “Casais Inteligentes enriquecem juntos” (Editora Gente).

Cerbasi é professor de finanças para não-financeiros da FIA – USP, além de consultor financeiro e entusiasta da tese de que, já que se propuseram a casar, a dupla deve dividir tudo. Das informações sobre os ganhos às rendas e, claro, as dívidas. “A sociedade criou uma visão distorcida por condição da mulher já estar no mercado de trabalho”, analisa. “A necessidade de separação está sendo levada ao extremo. O casamento é uma união na alegria e na tristeza”, afirma.

Segundo o consultor, ao ganhar mais do que o outro e conviver sob o mesmo teto sem compartilhar a renda, a tendência é que um dos dois desenvolva diferentes hábitos de consumo e passe a ter um padrão de vida diferente. E, como conseqüência, se distancie.

Por isso, a sugestão do consultor é conta conjunta com todos os detalhes, claro, muito bem conversados. Até a dependência financeira de um cônjuge com relação ao outro deve ser calculada. No caso de um ganhar mais que o outro e mesmo de um dos dois não ter renda, ele sugere que seja estabelecida uma mesada para cada um, calculada com base também em gastos como presentes, happy hours com amigos e outros tipos de necessidades individuais.

Ainda que haja a necessidade de o casal contar com o bom senso para avaliar qual seu padrão de vida e o que ele comporta, Cerbasi acredita que um bom valor para essa mesada seja 10% da renda total dividida por 2.

Sandra Blanco, consultora de investimentos e autora do livro “Mulher inteligente valoriza o Dinheiro” (editora Qualitymark), concorda que a comunicação seja franca e os valores abertos. “Contudo, na minha experiência pessoal achei que era aberta, mas a outra parte não era de verdade”, confessa.

Sandra afirma que a conta conjunta funcionou enquanto estavam juntos, sobretudo pelo fato de o perfil de ambos serem controlados com relação às finanças. “Mas quando você vive a situação, é diferente. Você acaba dizendo ‘que bom que tínhamos uma conta separada’”.

O que Sandra conta não é um caso isolado. Segundo estudo do professor Jay Zargosky, da Universidade de Ohio, os casais não sabem quanto seus parceiros ganham. Os maridos, na média, afirmaram que o casal tem uma renda 5% maior do que afirmam as esposas, bem como uma riqueza acumulada 10% maior. Segundo a divulgação do estudo, Zagorsky afirma que a causa dessas diferenças é o fato de muitos parceiros exageram sua própria renda e superestimaram a do outro.

Geralmente, o homem sobrevaloriza a renda da família e, a mulher, seus gastos. Segundo o professor de Ohio, essa discordância acerca da renda pode ser sintoma de outros problemas, como o de comunicação.

Sandra é obrigada a falar sobre dinheiro diariamente, já que comanda um clube de investimentos só de mulheres – um grupo heterogêneo de 65 membros que agrupa, entre solteiras e casadas, de estudantes a aposentadas de diversas profissões, boa parte delas de nível universitário.

Sua experiência lhe mostra diariamente, contudo, que dinheiro é sim um assunto tabu. “É tão engraçado, porque as pessoas não conseguem falar sobre dinheiro, mas é ele quem move tudo. Elas estão sempre achando que um vai passar a perna no outro!”, exclama. “O casamento é um contrato, uma sociedade”, completa.

Tal sociedade, contudo, nem sempre é respeitada. Sandra já teve casos em seu clube de quem não pudesse participar porque seu marido não quis. E outras que levaram o marido na primeira reunião. Por isso, conta conjunta para os principais gastos e contas individuais à parte para assuntos pessoais é o que Sandra recomenda. “Ninguém casa pensando em separar, mas dinheiro é um assunto muito particular”, considera.

Para que o tema não se transforme em tabu e o papo flua, a conversa tem de começar já no namoro. Para Gustavo Cerbasi, ainda que num primeiro encontro o tema não deva ser colocado de maneira abrupta (confira dicas no link Etiqueta do primeiro encontro), é preciso começar desde então. “Até porque esse assunto vai surgir sempre naquele momento mais constrangedor”, diz ele. Portanto, planos sobre finais de semana, viagens a dois devem incluir cifras e possibilidades de ambos.

A tarefa de casa deve ser levada por toda a vida. Inclui, dessa forma, reunir-se com os filhos para discutir orçamentos e cortes necessários para realizar sonhos como carros e viagens de férias. Mas sem abrir o jogo sobre as cifras, somente sobre comportamento de consumo, gastos e planos. “Isso para o filho não entender que é fácil conseguir esse dinheiro.

É preciso mostrar sim que existe uma verba, mas que ela foi fruto de economia e planejamento”, explica Cerbasi sobre o que afirma ser um ensinamento sobre limites. E acrescenta: “Para o pai, hoje, é mais fácil falar sobre sexo do que sobre dinheiro com seu filho”.

Segundo Cerbasi, o fato de os membros do casal pertencerem a tipos diferentes entre os perfis de consumidores que traça em seu livro - os poupadores, os gastadores, os descontrolados e os desligados - não significa necessariamente que a união esteja fadada ao insucesso. O consultor acredita que aquele que possui o perfil mais controlado e ciente das finanças estimule o parceiro. “Aproveite que é um bom controlador para poder transmitir o que está acontecendo, quais resoluções devem ser tomadas”, explica.

Prevenir a remediar
Cheque especial, rotativo do cartão, tudo isso é problema e dos grandes. Não necessariamente. Pelo menos para casais que se dispõem a resolvê-lo junto, afirmam os especialistas consultados. “O endividamento é como a obesidade e, quando você percebe que a coisa ficou grave, é tarde para mudar de uma semana para outra”, afirma Cerbasi.

Assim, o ideal é que sejam adotadas medidas por 3 ou 4 meses com cortes radicais nos gastos, com a finalidade de reverter a situação da dívida. Segundo o consultor, todos somos capazes de realizar sacrifícios intensos como cortar todo lazer, “desde que ele tenha data para acabar”.

Parece claro com todas essas dicas, que toda relação tem de contar com o comprometimento, comunicação e, conseqüentemente, com divisão de rendas. Engano. Cerbasi cita alguns casos em que não necessariamente essa divisão seja bem-vinda.

É o que ele chama de “relacionamentos mais delicados”. Encaixam-se nesse perfil artistas, jogadores de futebol e empresários “cujo patrimônio se confunde com o da empresa”. Para esses casos, o consultor sugere uma separação total de bens, com seguros, testamento e quaisquer outros detalhes combinados previamente. Mas o segredo permanece o mesmo. Afinal, quem disse que, para isso, eles também não terão de conversar, e muito?



Erros mais comuns dos casais:

Falta de comunicação
Separação financeira
Falta de controle – é preciso lembrar que a vida não inclui apenas moradia, alimentação e transporte. Presentes, viagens e necessidades do dia-a-dia como saídas de rotina devem estar sempre na ponta do lápis, com uma verba destinada a eles
Não cuidar da renovação (as famosas crises dos cinco, sete ou dez anos) - segundo Cerbasi, elas crises surgem quando o casal chega a um período em que muita coisa já deixou de funcionar.
Mentir ou omitir – “Isso é reflexo de uma falata de cumplicidade”, afirma a consultora Sandra Blanco.
Só discutir sobre dinheiro em momentos de briga – aí já é tarde, concorda?


No dia-a-dia:

Filhos: De acordo com Cerbasi, é possível trocar o carro por um mais barato ou mudar para um apartamento menor ou não tão bem localizado. “Conheço muita gente que não piora, apenas substitui o tempo de lazer – e os gastos”, diz.

Compras: Sejam elas quais forem, de troca de carros a shopping e supermercados, o ideal é ir com uma verba pré-determinada. E, se for o caso, estabelecer uma margem para compras mais supérfluas. “Quando se discute em casa, a cabeça está fria”, justifica. “Se o compulsivo escolhesse e definisse o preço, ele iria desistir de fazer muitas das compras que faz”, considera.

Investimentos: Se um tem uma visão muito mais conservadora que o outro, o ideal é mesclar. “Se um prefere aplicar 50% em ações e 50% em renda fixa e o outro defende que 100% vá para a renda fixa, o ideal é que 75% seja investido assim e os outros 25% vá para investimentos com mais risco. “A parte mais arrojada tem de ceder mais na hora dos investimentos”, explica. O que não significa que não tenha de se esforçar para envolver e habituar o parceiro. “O conservadorismo é fruto da falta de informação”, considera.

Planos: Fazer projetos em comum, também no âmbito financeiro, como comprar um apartamento ou uma casa de praia, além de um desejo realizado, pode ser uma terapia. “Você aumenta a cumplicidade, a comunicação. Até a admiração aumenta. Você pensa: ‘Poxa, ele(a) está se esforçando para conseguir algo para os dois’”.

Fonte: Gustavo Cerbasi, consultor de finanças e autor de “Casais Inteligentes enriquecem juntos”

A etiqueta do primeiro encontro

Segundo a consultora de etiqueta Claudia Matarazzo, não há problema nenhum em dividir contas, mas é sempre bom lembrar que um primeiro encontro é uma espécie de teste. “E pode parecer velho, jurássico, mas nenhuma mulher vai gostar de pagar a conta”.

Seja como for, a etiqueta exige que, na primeiríssima vez, quem convida é que pague tudo. “Depois se avalia se racha. Às vezes você percebe que ele fez um primeiro esforço”, explica. Gustavo Cerbasi inova: “uma forma elegante de aceitar é ela se propor a pagar a próxima”.

Com relação a gorjeta, não há regra. Mas, no caso de ele ter pago tudo, a mulher deve ajudar. “Ela tem de ser bacana e oferecer um trocado”, explica. Afinal, os dois estão tentando ser educados. E no caso de terem dividido e ele se recusar a dar gorjeta? Aí Cláudia é enfática: “muquiranice não dá”.


Gafes no primeiro encontro:

Em motel, não deixe ela dar o cartão – é uma exposição desnecessária
Na escolha do lugar, nada de excessos: nem ostensivamente caro, nem muito barato
O mesmo vale para vestuário: vestir-se bem demais intimida, tampouco o extremo oposto funciona. “Só indico algo em que os dois se sintam confortáveis, diz Cláudia”
Não falar de ex-namorado(a)
Falar muito de finanças no primeiro encontro é desnecessário. Tampouco fale em tom de lamúria de problemas financeiros. “Drama é chato”, afirma Cláudia
Não pergunte o quanto o outro ganha – é deselegante.
Fonte: Cláudia Matarazzo, consultora de etiqueta.

A realidade brasileira

Segundo Clara Araújo, professora do Departamento de Ciências Sociais da UERJ, 39,8% dos homens e 36% das mulheres brasileiros dizem que a renda do casal é totalmente compartilhada. Já o número de pessoas que separam totalmente o que ganham é de 11% para mulheres e 36,5% para homens, sendo que esse número tende a aumentar quando trabalham (veja gráfico no link A realidade Brasileira). “

"O que nós notamos é que, mesmo quando as mulheres trabalham, eles tendem a se perceber como provedores e o dinheiro da mulher é visto como um complemento que vai para ela. Ainda que chegue a metade da renda, a contribuição é vista como um detalhe”, explica a professora Clara Araújo, co-autora da pesquisa que ouviu 2 mil pessoas casadas em proporções representativas da população brasileira. De acordo com a pesquisadora, entre as pessoas que trabalham, o número das que separam o dinheiro vai para 21% entre as mulheres e 47,5% para os homens.

Apenas 5%, tanto de homens quanto de mulheres, afirmou juntar apenas parte do dinheiro. "Essa idéia de compartilhamento não significa necessariamente autonomia, mas escassez. Pode ser algo orientado por um valor de igualdade, mas é um símbolo de escassez. Conforme aumenta a renda do casal, a idéia é que as despesas sejam divididas, mas que o nível de separação aumente", explica Clara.

A professora cita ainda que pesquisas européias mostram que, quanto mais elevado o nível educacional e a renda, a tendência é que se mantenha a separação da renda. A pesquisa foi finalizada em 2004 e publicada no livro "Gênero, Família e Trabalho no Brasil" (Editora FGV/Faperj), em co-autoria com a professora Celi Scalon em 2005.
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